Compreendendo a Dependência.

29/03/2025

Compreendendo a Dependência.

 Raique Almeida

   A adicção é uma doença crônica, progressiva, incurável e fatal que pode acometer qualquer indivíduo, independentemente da classe social, gênero ou nacionalidade. Trata-se de um transtorno comportamental detectável desde a infância, cujos sintomas tendem a se agravar durante a adolescência e persistem na fase adulta.

Existem diversos tipos de adicções, como o alcoolismo, o uso abusivo de drogas, o vício em jogos de azar, o abuso de medicamentos, a compulsão alimentar e o vício em compras, entre outros. O tratamento da adicção é possível, mas é necessário abordar sua raiz comportamental. Em geral, os indivíduos afetados por essa doença apresentam características como ansiedade e compulsão, sendo comum a tendência ao extremismo. O adicto, seja ele alcoólatra ou dependente de substâncias, tende a buscar a satisfação em comportamentos intensos, mostrando uma postura de "tudo ou nada". Para ele, a vida é marcada por excessos, e a satisfação nunca é alcançada de maneira moderada.

Outro sintoma característico da adicção é a intolerância à frustração. O adicto tem grande dificuldade em aceitar limitações e frequentemente busca controlar as situações para que tudo ocorra conforme seu desejo e no momento que deseja. Em muitos casos, indivíduos que crescem sem esses padrões comportamentais não desenvolvem sintomas aditivos ao longo de suas vidas.

A adicção pode se manifestar de diferentes formas, e um fator importante é o aumento das sensibilidades emocionais da sociedade contemporânea. O desejo de anestesiar sentimentos por meio de substâncias como drogas, álcool e medicamentos tem se intensificado, trazendo, após o uso, uma sensação de vazio e depressão, o que leva o indivíduo a buscar uma nova dose para aliviar esse mal-estar.

A doença da adicção pode se desenvolver por dois fatores principais: um componente hereditário, que contribui com cerca de 54% da predisposição, e o uso abusivo de substâncias como drogas e álcool, que aumenta significativamente o risco de dependência ao longo do tempo. Estudo recentes indicam que o uso contínuo e excessivo de substâncias aumenta consideravelmente a probabilidade de dependência.

Além disso, observou-se que as mulheres, que vêm avançando no mercado de trabalho, também estão consumindo álcool e drogas de forma crescente, com taxas de adicção semelhantes às dos homens. Infelizmente, a sociedade não faz a devida conscientização, e a mídia falha em alertar sobre os riscos do consumo dessas substâncias. É fundamental que os profissionais de saúde atuem junto às famílias, reforçando a necessidade de vigilância e prevenção.

Caso uma pessoa tenha mudanças de comportamento, especialmente durante a adolescência, como alterações no círculo de amizades, isolamento social, agressividade ou mudanças nos hábitos diários, como reviravoltas no horário de sono, é essencial investigar. A família tem um papel crucial na detecção precoce dos sintomas da adicção e deve estar atenta aos sinais que indicam riscos. O ambiente externo pode ser perigoso, e é necessário estar atento às influências que o indivíduo recebe.

Portanto, é de responsabilidade da família acompanhar de perto, manter o diálogo e procurar compreender o momento vivido pela pessoa. Embora a adicção seja incurável, há tratamentos eficazes que possibilitam uma melhora significativa na qualidade de vida do indivíduo. A identificação precoce dos sintomas e a busca por apoio especializado são cruciais para o sucesso do tratamento.

Caso identifique sinais de adicção, não hesite em buscar um especialista qualificado em dependência química, que tenha experiência no tratamento de alcoolismo, uso de drogas e outros vícios. A adicção por jogos de azar, por exemplo, também tem se tornado cada vez mais comum. Detectar o problema logo no início aumenta consideravelmente as chances de sucesso no tratamento. Embora a adicção não tenha cura, existem soluções e caminhos para a recuperação. A chave é pedir ajuda e enfrentar a doença de forma consciente e com o apoio adequado.

 

Referências:  NIDA (National Institute on Drug Abuse) Site: www.drugabuse.gov

OMS (Organização Mundial da Saúde) Site: www.who.int

American Psychological Association (APA Site: www.apa.org

Livro: "Addiction Recovery Management: Theory, Research, and Practice"

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Informações sobre prevenção, tratamento e recuperação da dependência química e alcoolismo

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