O Impacto do Tabagismo na Saúde Pública: Desafios e Soluções
02/04/2025

Por Raique Almeida
O tabagismo continua sendo uma das principais ameaças à saúde pública, representando uma grande preocupação tanto no Brasil quanto no mundo. O consumo de tabaco é responsável por aproximadamente 8 milhões de mortes anuais globalmente, sendo mais de 173 mil óbitos apenas no Brasil, de acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA). O impacto do tabagismo na saúde é imenso, principalmente devido à sua forte associação com doenças crônicas graves, como câncer, doenças cardiovasculares, doenças respiratórias crônicas e diabetes tipo 2, que são as principais causas de mortes no país. Essas condições sobrecarregam o Sistema Único de Saúde (SUS) e geram custos elevados para a sociedade, não apenas em termos financeiros, mas também em termos de perda de qualidade de vida, produtividade e o sofrimento das famílias.
A relação entre o tabagismo e as doenças crônicas é clara e amplamente comprovada. O uso do tabaco aumenta a incidência de várias doenças, sendo um fator de risco significativo para o desenvolvimento de condições como câncer de pulmão, câncer oral, laringe, esôfago, doenças cardiovasculares, como infartos e derrames, além de doenças respiratórias como enfisema e bronquite crônica. A associação entre o tabagismo e a diabetes tipo 2 também tem sido amplamente discutida, pois o consumo de tabaco prejudica o controle glicêmico e eleva o risco de complicações associadas a essa condição.
O impacto do tabagismo no corpo humano é sistêmico, afetando diversos órgãos e sistemas. A nicotina, substância psicoativa presente no tabaco, desempenha um papel central nesse processo, sendo a principal responsável pela dependência química que dificulta a cessação do hábito de fumar. Além de ser viciante, a nicotina facilita a absorção de substâncias tóxicas presentes no tabaco, como alcatrão, monóxido de carbono e nitrosaminas, que, ao serem absorvidas pelas células, promovem o aparecimento de diversas doenças crônicas, incluindo vários tipos de câncer. Ela também amplifica processos inflamatórios no organismo e compromete o sistema cardiovascular, tornando os fumantes mais suscetíveis a problemas cardíacos, derrames e doenças respiratórias graves.
A Política Nacional de Prevenção e Controle do Câncer, instituída pela Lei 14.758 em 2023, reflete um esforço importante para reduzir os impactos do tabagismo na saúde pública. Embora ainda aguarde regulamentação, a lei visa implementar estratégias intersetoriais para reduzir a incidência e mortalidade de diversas formas de câncer, com ênfase na redução do consumo de tabaco. A lei também reforça as diretrizes da Convenção-Quadro da Organização Mundial da Saúde (OMS) para o Controle do Tabaco (CQCT), incluindo ações de conscientização, educação, promoção de ambientes livres de fumo e fortalecimento da rede de tratamento do tabagismo no SUS. As campanhas educativas, o apoio a alternativas econômicas para agricultores que cultivam tabaco e o fortalecimento de medidas para a redução da demanda de tabaco são algumas das principais ações previstas na legislação.
Uma das medidas mais importantes para enfrentar o tabagismo é a reformulação do sistema tributário brasileiro, proposta pela campanha “Tabagismo 100 Sentido” da ACBG Brasil. A ideia é incluir o tabaco em uma categoria especial de taxação, o que pode ajudar a reduzir o consumo e ao mesmo tempo gerar recursos para o SUS, permitindo que o sistema de saúde tenha mais meios para tratar doenças relacionadas ao tabagismo e investir em prevenção e diagnóstico precoce. Estudos mostram que cada real investido na prevenção do tabagismo pode gerar economias significativas para os cofres públicos, aliviando o peso financeiro dos tratamentos dessas doenças.
O tabagismo não é um problema isolado; ele afeta toda a sociedade. As famílias enfrentam não apenas o sofrimento emocional e físico dos entes queridos que padecem devido a doenças relacionadas ao tabaco, mas também a perda de produtividade e os custos elevados com tratamentos médicos. O impacto econômico e social do tabagismo é imenso, e as políticas públicas têm um papel fundamental na redução dessa carga. O fortalecimento da prevenção e a implementação de ações de controle do tabagismo, como a criação de ambientes livres de fumo e o aumento da taxação sobre produtos de tabaco, são medidas eficazes para reduzir a prevalência do tabagismo e, consequentemente, diminuir a incidência de doenças crônicas relacionadas ao tabaco.
Portanto, a luta contra o tabagismo deve ser vista como uma prioridade de saúde pública, não apenas para proteger os indivíduos, mas também para aliviar o sistema de saúde e reduzir os custos sociais e econômicos associados ao consumo de tabaco. O trabalho intersetorial, a implementação de políticas públicas eficazes e a conscientização da população sobre os riscos do tabagismo são fundamentais para alcançar esses objetivos. Além disso, o apoio a alternativas para os agricultores de fumo e a vigilância contínua da prevalência do tabagismo no Brasil são passos importantes para garantir que o país possa avançar na luta contra essa grave ameaça à saúde pública.
Referência:
Instituto Nacional de Câncer (INCA) - www.inca.gov.br
Organização Mundial da Saúde (OMS) - Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco (CQCT) - www.who.int
ACBG Brasil - Associação de Combate ao Câncer de Boca e Garganta - www.acbg.org.br
Ministério da Saúde - Tabagismo e suas consequências para a saúde - www.saude.gov.br