A realidade do viver com esquizofrenia

03/04/2025

A realidade do viver com esquizofrenia

Por Renata Marques Oliveira, Priscila Cristina Bim Rodrigues Facina, Antônio Carlos Siqueira Júnior

            O artigo em questão investiga a experiência de viver com esquizofrenia a partir dos relatos de indivíduos que convivem com o transtorno. Para isso, foram realizadas entrevistas com dez pessoas diagnosticadas com esquizofrenia, internadas em um hospital geral, com no mínimo cinco anos de diagnóstico. A análise qualitativa dos dados foi conduzida através da análise temática, que identificou a categoria "Convivendo com a esquizofrenia" e seis temas principais: o conhecimento sobre a doença, os sintomas, a difícil convivência, o estigma, a família e a religião. O estudo buscou ampliar a compreensão sobre a esquizofrenia a partir da perspectiva das próprias pessoas com essa condição, permitindo que suas experiências e sofrimentos fossem valorizados e acolhidos.

A esquizofrenia é uma doença psiquiátrica grave e prevalente, caracterizada por manifestações psicopatológicas nos campos do pensamento, percepção, emoção e comportamento. A doença pode ser debilitante e crônica, com sintomas positivos (delírios, alucinações) e negativos (perda de função, afeto plano), afetando profundamente a vida do paciente em diversas esferas, como afetiva, social, familiar e financeira. A estigmatização, associada ao preconceito e ao autoestigma, é uma das maiores dificuldades enfrentadas pelas pessoas com esquizofrenia, tornando-se um obstáculo significativo para a ressignificação de sua identidade e a aceitação social.

Em relação à convivência com a doença, os participantes destacaram a dificuldade de manter uma boa qualidade de vida, especialmente devido às limitações impostas pelos sintomas. A qualidade de vida é entendida como uma medida abrangente de bem-estar, que inclui os aspectos físicos, psicológicos e sociais, e no contexto da esquizofrenia, é frequentemente prejudicada. Muitos entrevistados reconheceram a importância de entender melhor a doença, o que pode ser facilitado pelo apoio familiar e pelo acompanhamento profissional contínuo. Com o conhecimento da doença, o paciente e seus familiares podem identificar sinais precoces de recaídas, prevenindo crises e melhorando a gestão da condição.

A estigmatização é outro fator crucial abordado no estudo, com os entrevistados relatando como a sociedade os vê de forma negativa devido à doença, o que resulta em perda de autoestima e dificuldade de reintegração social. A falta de compreensão sobre a esquizofrenia contribui para o preconceito, exacerbando o sofrimento do paciente. Alguns entrevistados expressaram que o estigma é ainda mais doloroso quando internalizado, tornando-se autoestigma. Este processo pode levar à exclusão social e à diminuição das oportunidades de recuperação e ressignificação da vida.

A convivência com os sintomas da esquizofrenia também foi um tema recorrente nas entrevistas. Os sintomas positivos, como delírios e alucinações, fazem com que o paciente viva em um "mundo paralelo", isolando-o e dificultando o relacionamento com os outros. Por outro lado, os sintomas negativos, como a perda de motivação e afeto, limitam ainda mais a capacidade de interação social e realização de atividades diárias. No entanto, alguns pacientes destacaram a importância do tratamento medicamentoso e da terapia para aceitar e controlar esses sintomas, permitindo-lhes viver de forma mais equilibrada.

A família desempenha um papel central na vida das pessoas com a esquizofrenia. Para muitos, a convivência familiar é uma fonte crucial de apoio, embora os relatos variem. Alguns participantes sentiram-se compreendidos e acolhidos por suas famílias, enquanto outros relataram incompreensão e dificuldades no apoio familiar. Esse aspecto sublinha a diversidade de experiências familiares frente ao desafio da doença que afeta a mente, reforçando a importância do suporte e da educação familiar sobre a esquizofrenia.

Além disso, a religião foi mencionada como uma fonte de conforto para alguns entrevistados, oferecendo uma dimensão de apoio emocional e espiritual. No entanto, também foi apontado como um fator potencialmente negativo quando algumas pessoas ou grupos religiosos incentivam o abandono do tratamento médico em favor da "cura divina". Isso pode resultar em agravos à saúde mental do paciente, já que a doença exige cuidados médicos contínuos e específicos.

O estudo conclui que é essencial dar voz às pessoas com a esquizofrenia para que possam expressar seus sofrimentos e experiências, além de ressaltar a importância de uma abordagem holística e integrada no tratamento da esquizofrenia, que leve em consideração os aspectos biológicos, psicológicos e sociais. Ao ouvir e valorizar os relatos dos pacientes, a sociedade e os profissionais de saúde podem contribuir para a diminuição do estigma e para a melhoria da qualidade de vida desses indivíduos.

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